Zen Garden Design

Paisagismo - Jardim Zen

O jardim Zen tem essa denominaçao principalmente pelo fato de buscar, em sua concepção, a transcedência do próprio design.

Principalmente após o século XIII, surgiram vários Monges budistas (chamados de Ishi Tate So) engajados também na construção de jardins contemplativos em mosteiros e templos, com Muso Hokusai, o criador do famoso jardim de Tenryuji, em Kyoto, podendo ser considerado um dos principais expoentes.

Leia a seguir o artigo de um dos mais conceituados monges/paisagistas de atualidade.

A essência do jardim zen

Por Shunmyo Masuno.

1. Vazios

Um jardim japonês é desenhado com serena atenção ao equilíbrio e à proporção. Uma enorme importância é dada não somente para a forma dos elementos colocados nele, mas também para seus efeitos no espaço ao redor e no ambiente como um todo. Com frequência, um jardim japonês tem espaços vazios, partes destituídas de qualquer coisa. Tais vazios são extremamente importantes; o designer os usa para comunicar o que quer dizer. Eles são uma manifestação do espírito do designer.

2. Auto-expressão

Os jardins japoneses exigem mais que mero design atraente. Preenchidos com espiritualidade, são considerados expressões palpáveis do interior do designer do jardim. Há dois aspectos para essa auto-expressão: a expressão da individualidade e da história pessoal de alguém e a expressão do sentimento de "seja bem-vindo" para os convidados de um jardim.

Foto de uma parte de um jardim

3. União

Todos os componentes de um jardim japonês - sejam pedras, árvores ou arbustos - são escolhidos para complementar um ao outro e a cada um é assinalada uma posição que irá destacar suas melhores características, próprias e dos outros componentes. Não há hierarquia. O mesmo ocorre com a relação entre as construções e o jardim, e também entre as pessoas e o jardim. As construções são consideradas parte do jardim e, da mesma maneira, também os seres humanos são vistos como parte integrante da natureza e do jardim. O jardim surge de uma relação simbiótica, na qual tudo serve para exteriorizar o melhor de cada um.

4. Impermanência

Ao longo de sua história, os japoneses encontraram beleza no mutável, no transitório. Tudo muda e passa: o tempo, as estações, a luz e a sombra. Até os reflexos sobre a superfície de um lago estão constantemente se alterando. O mesmo se aplica aos humanos, que também desaparecem no devido tempo. O jardim japonês é um lugar para os observadores serem cercados pela natureza e contemplar a impermanência das coisas e o significado da vida.

5. Respeito

O zen toma o ponto de vista que não somente as pessoas, mas também plantas, montanhas, rios e rochas são a natureza de Buda (uma pureza inata e indestrutível). Por isso, ao desenhar um jardim é importante prestar atenção meticulosa a cada componente, manipulando-o de modo que respeite a preciosidade de sua vida. Não se deve iniciar a tarefa com a atitude de "fazer" um jardim. Ao invés disso, se deve ser grato pela oportunidade de permitir que cada elemento se expresse.

Foto de Shunmyo Masuno

Shunmyo Masuno

Nascido em 1953, Masuno graduou-se em Agronomia na Escola de Agricultura de Tamagawa (T.U.C.A.) e foi aprendiz do renomado paisagista Katsuo Saito. Em 1982, após seu treinamento no mosteiro sede da escola Soto Zen, Sojiji, fundou a Japan Landscape Consultants (JLC) e foi eleito professor do Departamento de Design na Tama Art University em 1998. Entre seus muitos prêmios e condecorações, estão o M.E.A.N.A. (Prêmio do Ministério da Educação do Japão) em 1999 e a F.M.C. (Menção do Ministério das Relações Exteriores) em 2003.

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